A minha próxima obsessão

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Encontrar e fotografar um Citroën DS foi fantástico, mas não foi exactamente transpor uma fronteira. Não se dá o caso de ter cumprido um objectivo e não haver mais nada daqui para a frente. O que não falta é automóveis bonitos e fotogénicos: são é cada vaz mais difíceis de encontrar. No Domingo, enquanto estacionava e me dirigia ao DS para o fotografar, passou por mim um automóvel que até ontem só vira em fotografias: um Fiat Dino. Ainda no mês passado encontrei um Jaguar E, um dos mais belos automóveis de sempre.

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O próximo automóvel que quero fotografar, apesar de ser ainda mais raro e difícil de encontrar que o DS, é outro Citroën: o SM. Este é um coupé 2+2 – ou melhor: é a interpretação francesa, chez Citroën (que foi em tempos uma marca altamente idiossincrática), de como se faz um coupé 2+2. É um automóvel grande e imponente – diz-se que «SM» é as iniciais de Sa Majesté –, com um super-motor (um V6 fabricado pela Maserati) e toda a tecnologia do DS levada ao extremo: suspensões hidropneumáticas, uma direcção cuja assistência varia com a velocidade, travões de disco nas quatro rodas e seis faróis, dois deles direccionais, todos cobertos por uma redoma de plexiglass que se alonga de uma extremidade da frente à outra, cobrindo também a chapa da matrícula. O design é ainda mais futurístico que o do DS: este automóvel era a visão que os engenheiros da Citroën tinham do futuro (mal sabiam eles que, quarenta anos mais tarde, a Citroën estaria a desenhar e fabricar carros parecidos com Hyundais). Sei de antemão que ainda vai ser mais difícil de encontrar que o DS e que vai passar muito tempo até que consiga encontrar um – mas também posso voltar a ter um golpe de sorte como o de Domingo, quando encontrei o DS a um quilómetro de casa. O Citroën SM é a minha próxima obsessão fotográfica.

tesla-model-sOs mais atentos de entre aqueles que ainda têm paciência para ler os meus textos sobre automóveis terão, por esta altura, reparado que tenho uma predilecção por fotografar clássicos. É verdade – não só porque o meu gosto estético se formou durante os anos 70, mas também porque os automóveis de hoje são relativamente pouco interessantes. Isto não significa que rejeite o progresso automóvel. Se eu tivesse fundos ilimitados (ou pelo menos bastante vastos) para adquirir um automóvel para usar no meu dia-a-dia, não seria um clássico. Poderia considerar a compra de clássicos se fosse incrivelmente rico, mas o automóvel que adquiriria seria um que é, de certo modo, o Citroën DS dos nossos dias. Esse carro que compraria se tivesse fundos é o Tesla Model S. É um automóvel eléctrico e, embora eu não seja um militante ambientalista e esteja consciente que também há custos ambientais na produção de energia eléctrica, a preservação do meio ambiente é uma preocupação que todos deveríamos ter. De resto, ao adquirir um automóvel movido a electricidade estaria a afastar-me da especulação obscena que se faz com os preços do petróleo e deixaria de contribuir para guerras e para a manutenção de regimes políticos execráveis que se mantêm no poder por influência e interesse das sete irmãs (*).

Não são apenas considerações políticas e ambientais que me levam a formular esta preferência: o Tesla Model S é lindo. É um automóvel que consegue ser um desportivo de quatro portas com bastante mais classe que esse festival de novo-riquismo sobre rodas que é o Porsche Panamera. É um automóvel genuinamente futurístico não só na estética exterior: no interior, os comandos que noutros automóveis surgem na forma de botões e manípulos na consola central, como os do rádio e do ar condicionado, são accionados por toque num ecrã com o formato de um tablet. (Conseguem imaginar alguma coisa mais genuinamente cool do que isto, ou melhor uso para um tablet?) É um veículo de prestações desportivas, porque o motor eléctrico, ao contrário dos de combustão, responde instantaneamente, o que lhe confere uma aceleração que deixa muitos superdesportivos pregados ao chão; e é também um automóvel de luxo que presumo ser suficientemente confortável. A única objecção que a aquisição de um Tesla Model S me poderia levantar é o facto de haver relativamente poucos postos de recarga. Os que há são normalmente ocupados por palhaços que decidiram que aquele era o melhor lugar possível para estacionar os seus carrinhos de motor de combustão interna. Oh well – é difícil ser adepto de energias alternativas neste país.

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(*) Sete irmãs era o nome dado às principais companhias petrolíferas: Shell, Mobil, Exxon, BP, Gulf, Chevron e Texaco. Hoje, com as fusões e absorções que se produziram, são apenas quatro: Shell, BP, Chevron e ExxonMobil.

M. V. M.

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