Mais sobre impressões e o Ilford HP5

Img - 004Apesar de ter recebido as impressões de fotografias feitas com o Ilford HP5 na sexta-feira, dia 22, pareceu-me mais interessante escrever os textos sobre fotómetros e o que aprendi com o uso de material fotográfico convencional, pelo que só agora estou a escrever sobre as impressões do HP5.

Ver estas fotografias no papel foi uma experiência interessante e educativa. As impressões do HP5 mostram, mais uma vez, que a fotografia convencional sempre viveu, e continua a viver, para a impressão. Se virmos bem as coisas, fazer digitalizações de rolos faz pouco sentido. A imagem fixada nos fotogramas não é uma imagem digital, razão pela qual só a impressão permite aferir a sua verdadeira qualidade.

E como é essa qualidade? Numa palavra – estupenda. A impressão suaviza o grão, pelo que o excesso deste, que é o único defeito que encontro no Ilford HP5, sai bastante atenuado. O que escrevi sobre as qualidades deste rolo mantém-se verdadeiro quando se vêem as impressões. É um rolo cujo contraste e nitidez só têm um rival – o Ilford FP4. E que rival!: o FP4 é o rolo que escolhi como o meu favorito para preto-e-branco; tem a vantagem de um grão que, acrescentando o carácter muito especial do grão cúbico às fotografias, é bastante menos presente e, por esta via, menos invasivo. Se não fosse o grão – se existisse um HP5 com uma velocidade ASA baixa –, o HP5 seria o meu rolo de eleição por causa do seu desempenho com os médios-tons. O FP4 tende a favorecer os extremos da gama dinâmica, acentuando os negros e as altas luzes, enquanto o HP5 é mais homogéneo na sua apresentação. O FP4 ganha de novo no contraste, mas por pouco: o contraste que o HP5 apresenta é excelente.

É, aliás, esta última característica que torna o HP5 mais interessante do que o outro rolo de grão cúbico e velocidade 400 ASA que experimentei – o Kodak Tri-X. Este tem ainda uma pequena desvantagem na nitidez, mas em tudo o resto é um rolo tão homogéneo que se torna fácil recomendá-lo. Se, porém, abstrairmos do grão (e eu já referi que este problema é largamente atenuado pela impressão), o HP5 é superior ao Kodak Tri-X em tudo. Estou a fazer esta avaliação com base no meu juízo pessoal, pelo que aquela última afirmação deve ser entendida cum grano salis, mas esteticamente o HP5 resulta melhor nas impressões: o contraste e nitidez estão num nível acima daquele que o Tri-X consegue atingir. Mesmo os médios-tons são mais bem discernidos com o HP5, o que me surpreendeu por ter pensado que o Tri-X, de tão bom, era a referência neste particular.

O pormenor que o Ilford HP5 consegue capturar é simplesmente inacreditável. As suas características de microcontraste, conjugadas com lentes como as OM, fazem com que cada pormenor apareça perfeitamente delineado, dando aos motivos um relevo que é quase tridimensional. Este é, decididamente, um rolo para os fanáticos da nitidez e do pormenor.

O que torna ainda mais lamentável que o Ilford HP5 tenha um defeito tão grave e rebiditório (do meu ponto de vista, claro está) como o grão. Este é demasiado conspícuo e tem o potencial de arruinar uma fotografia. Mesmo se é certo que a impressão perdoa bastante este defeito, o grão continua lá, evocando fotografias digitais feitas com uma sensibilidade ISO 6400. As impressões – e as fotografias que eu escolhi para imprimir são aquelas em que o grão é menos presente – são nada menos que espectaculares no contraste, na resolução e na nitidez da imagem. É uma nitidez que não é de natureza forense, como algumas imagens que vi na net feitas com as Nikon D800 e as novas Sony α7, sendo, ao invés, um festim para os olhos.

Se o leitor que encontrar este texto não se importa com o grão, ou tem um sentido estético que o leva a tomar o grão como um elemento fundamental das suas fotografias, não tenho qualquer dúvida em recomendar o Ilford HP5 da forma mais veemente que posso. Os que, como eu, preferem fotografias com o carácter do grão cúbico mas com um aspecto mais limpo, preferirão o Ilford FP4 – ou, se o contraste deste for considerado excessivo, o Kodak Tri-X.

M. V. M.

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