O que eu aprendi com a fotografia convencional até hoje (parte 1)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEu esperava, quando comprei a OM-2, aprender um pouco mais sobre fotografia. Quando não se domina a técnica e se usa uma câmara destas, os resultados são imprevisíveis. Dito melhor, os resultados são invisíveis. Com uma câmara digital podemos ver os resultados de imediato, o que, embora não desobrigue de dominar a técnica, torna o processo fotográfico mais simples e previsível; com uma SLR, como com qualquer outra câmara de rolo, esse resultado só se vê na revelação. Deste modo, há que assegurar que os resultados vão ser consistentes – o que implica um conhecimento completo das técnicas fotográficas. Acrescce que, quando se fotografa com um rolo, o número de fotogramas é limitado. Cada fotografia torna-se preciosa, o que não acontece quando se usa uma câmara digital. O que, para além de obrigar ao domínio da técnica, requer o apuramento do sentido de oportunidade para que não se desperdicem fotogramas.

Deixem-me, pois, enumerar aquilo que já aprendi com a fotografia convencional.

1. O domínio da exposição é crucial. Não basta apenas conhecer a lei da reciprocidade ou os efeitos da abertura, do tempo de exposição e da velocidade do filme (ou sensibilidade do sensor): é necessário saber a maneira como estes valores se relacionam e usá-los na prática. É muito bom e bonito conhecer estes fenómenos na teoria, mas é necessário pô-los ao serviço da fotografia, no pressuposto de que não se pode perceber de imediato os resultados. Na fotografia convencional não existe a possibilidade de visualizar a imagem imediatamente depois da exposição. É imprescindível adquirir um elevado grau de certeza quanto aos resultados.

Um dos aspectos que fiquei a compreender melhor ao fotografar com a OM é a compensação da exposição. Esta não serve (ou não serve apenas) para fazer pequenos ajustamentos de 1/3 ou 2/3 de EV na exposição: serve para contrariar a forma como o fotómetro interpreta a luz que os objectos reflectem, de maneira a que estes surjam na fotografia com a melhor fidelidade possível. Com a câmara digital isto não era importante, uma vez que tinha um número considerável de recursos para acentuar os brancos e os negros na edição de imagem. Contudo, quando se usam rolos é muito diferente, a menos que se digitalizem as imagem e se as trate como ficheiros digitais, recorrendo à edição de imagem para os melhorar. O que contradiz o propósito de fotografar em rolos.

2. É fundamental fazer bem à primeira. Embora nunca tivesse sido do género de fazer centenas de fotografias de um motivo quando fotografava apenas com uma câmara digital, com a OM intervêm os factores do número limitado de fotogramas e do preço dos rolos e da revelação. Nenhum fotograma pode ser desperdiçado. Isto é mais fácil de dizer do que fazer, mas não sou diferente de Ovídio: video meliora proboque deteriora sequor. Ainda desperdiço muitos fotogramas, em parte por querer fazer muitas experiências. Para poder fazer bem à primeira é necessário, para além do já referido conhecimento da técnica, compreender bem a fotografia. A composição e o enquadramento não podem falhar: a menos que se cometa o anátema de editar as imagens, não há possibilidade de remover objectos indesejados nem de cortar ou endireitar a imagem. O que surge no enquadramento vai ficar lá a envergonhar-nos para sempre.

3. Nada substitui um bom visor óptico. Compor a imagem através do ecrã tem o seu interesse por se ver de imediato, e antes de premir o botão do obturador, qual vai ser o aspecto da fotografia, mas depois há as desvantagens: é mais difícil estabilizar a câmara (o visor é um ponto de apoio suplementar), é complicado seguir objectos em movimento e haverá sempre o problema de a visibilidade do ecrã ser reduzida quando se fotografa a favor da luz. O visor electrónico apenas suprime este último inconveniente e, de resto, não é a mesma coisa que um bom visor óptico: com este está a ver-se a realidade que acontece à nossa frente, e não a versão da realidade que o sensor nos mostra. É uma impressão que tem muito de subjectivo, mas ver uma cena através do visor de uma SLR – seja esta convencional ou digital – é praticamente o mesmo que vê-la a olho nu. A imagem é a mesma, mas a impressão é completamente diferente – e melhor. (Continua)

M. V. M.

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