Interlúdio digital

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O problema com a minha OM-2n que relatei num texto anterior está definitivamente diagnosticado: é mesmo uma infiltração de luz. Hoje tirei folga para acabar de expor o rolo que estive a usar nestes últimos dias (um Ilford FP4, cuja propensão para exagerar as altas luzes ainda não me convenceu totalmente, mas de que gosto pelo contraste e nitidez) e levar a OM para selar o compartimento do rolo. Uma inspecção rápida bastou para detectar o problema: os vedantes até não estavam em muito mau estado, mas quem os colocou – a câmara já tinha levado vedantes novos antes de eu a comprar – aplicou uma tira demasiado curta na parte lateral direita do compartimento do rolo! Não admira que as manchas de luz fossem mais proeminentes desse lado…

Isto significa que vou ficar sem a OM durante cerca de uma semana. Não é nenhum drama. Amanhã vou ter um dia muito ocupado, pelo que provavelmente não iria ter tempo para fotografar. E não fico sem câmara: afinal de contas, tenho a E-P1. Estou constantemente a esquecer-me que tenho outra câmara – e logo uma que, apesar das suas limitações, é extremamente competente. Não vou ficar sem meios para fotografar.

O que tenho pena é de não ter lentes melhores para a E-P1. Usar as OM é bom, mas é um remedeio. E as lentes “nativas” para o formato micro 4/3 que eu tenho não são grande espingarda. Se valesse a pena gastar dinheiro no sistema, até podia fazer boas compras sem ficar arruinado: há as Panasonic 14mm-f/2.5 e 25mm-f/1.4 e, para lente de retrato, podia escolher a Olympus 45mm-f/1.8; poderia ficar bastante satisfeito com estas lentes: embora a grande-angular seja claramente a mais fraquinha, seria perfeita para a E-P1; a 25mm é gabada por toda a gente, e a Olympus 45mm costuma ser referida como uma das lentes com maior nitidez para este formato. A questão é que não valeria a pena. O formato micro 4/3 tem muitas limitações e a E-P1 é uma câmara obsoleta. É curioso usar este adjectivo quando tenho uma câmara com mais de vinte anos, não é? Pois é – dá que pensar.

Obsoleta ou não, é com a E-P1 que vou fotografar durante uma semana (se o quiser). Podia ser muito pior. Se só tivesse uma câmara, ficava privado de fotografar. Deste modo vou poder fazer um pequeno intervalo na fotografia convencional e dedicar algum tempo à digital. O que não é assim tão mau. Afinal, foi esta a câmara com que aprendi a fotografar e foi com ela que fiz algumas das minhas melhores fotografias. Não tenho razões para me queixar.

M. V. M.

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2 thoughts on “Interlúdio digital”

  1. Eu tenho usado e 45 mm, e é mesmo fantástica. Mas comprei também uma nikkor 50 mm 1.4 (antiga), e um adaptador para a OM-D, e acho que ficou ainda melhor. Saída mais barata e que me dá flexibilidade, pois poderei usar a 50 mm na Nikon Fm3 que comprarei em breve.
    Mas sobre a obsolescência da E-P1, tens toda razão: as boas câmeras antigas convencionais viraram clássicas e não serão obsoletas enquanto fabricarem filmes pra gente queimar. Nossas digitais envelhecem bem mais rápido.

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