Mais um texto apologético, e potencialmente maçador, sobre os instrumentos ópticos empregues pelo autor no seu recreio fotográfico

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Não sei quantas vezes já escrevi sobre este assunto, mas este é mais um texto em que vou gabar as minhas lentes do sistema OM. Sinto a necessidade de o fazer porque uma coisa foi usar estas lentes com a Olympus E-P1, outra completamente diferente é usá-las na câmara para a qual foram pensadas, concebidas e produzidas. Com a E-P1 eu apenas tinha uma noção superficial das suas qualidades; a OM, essa, fez-me ver os benefícios destas lentes na sua plenitude.

As três lentes – e os leitores já sabem que elas cobrem todas as necessidades de um amador, correspondendo às distâncias focais clássicas de grande-angular, standard ou normal e teleobjectiva – têm uma qualidade comum: a sua nitidez. Infelizmente, a língua portuguesa não tem uma palavra semelhante à ânglica sharpness, que, além de nitidez, sugere as ideias de recorte, definição e precisão na descrição dos contornos dos objectos. As três lentes são incrivelmente sharp. E são-no praticamente em todas as aberturas, embora a 50mm e a 135mm beneficiem de aberturas um pouco mais estreitas que as máximas. A grande-angular é nítida em todas as aberturas, mesmo na máxima de f/3.5, mas a 50mm beneficia de ser fechada até f/2.8 e a 135mm de o ser até f/4, obtendo a nitidez máxima em f/5.6. O que é muito bom; na verdade, a mania do bokeh, que tem levado alguns a exigir aberturas máximas muito amplas independentemente da distância focal (as grande-angulares não precisam delas e as teleobjectivas não as podem ter por constrangimentos físicos) veio criar a falsa percepção de que a abertura máxima é a qualidade principal de uma lente, aquilo que se deve procurar e erigir em padrão de referência. Isto é um erro: fotografar a f/1.4 só é útil se estivermos na penumbra e não tivermos um flash à mão.

Além da nitidez, as OM dão-me cores absolutamente gloriosas. Com o rolo certo (o mesmo que dizer com o Kodak Portra 160), as cores são precisas mas com uma saturação e vibração belíssimas. O único problema é o nível de aberrações cromáticas da 28mm, porque de resto são as três excelentes a captar cores que, sendo vibrantes e saturadas, são também suficientemente realistas e correctas. E, de novo com a excepção da 28mm, que tem alguma distorção de barril – embora nada de excessivamente grave –, são lentes isentas de distorções geométricas. Opticamente são quase perfeitas. O único cuidado a ter com lentes com elementos frontais tão grandes e expostos é o de usar para-sóis quando se fotografa sob luz intensa. Estes são muito mais importantes do que se pensa. Tomada esta precaução, não há fenómenos ópticos de relevo que possam interferir com a qualidade da imagem.

Mas é mesmo a nitidez que me deixa fascinado sempre que vejo impressões de fotografias feitas com a OM-2 e qualquer destas lentes. O recorte dos objectos – i. e. daqueles que estão em foco – é perfeito: nem é suavizado, como vemos nas fotografias antigas dos álbuns de família, nem tem a nitidez clínica das lentes concebidas para as DSLR full frame actuais. Por vezes o óptimo é inimigo do bom e nestas lentes modernas há demasiada nitidez, dando um recorte algo artificial aos objectos. Eu não quero contar o número de poros que uma pessoa retratada tem na cara: quero apreciar um retrato bem nítido. O equipamento actual vai demasiado longe na procura de nitidez. Nada disto é uma desculpa para uma nitidez insuficiente. As OM são tão nítidas quanto se pode querer de lentes de qualidade – e, se usar um rolo como os Ilford, os níveis de nitidez são de tal ordem que rivalizam com as DSLR actuais.

Claro que estas são lentes de focagem manual. Contudo, não estou disposto a criticar a focagem automática: esta é um benefício, mas por vezes apetece-me perguntar se não terá sido introduzida por motivos exclusivamente mercantis, para vender câmaras a pessoas que se sentiam demasiado intimidadas com a focagem manual. Quando se tem um bom ecrã de focagem e um visor óptico de qualidade, o difícil é falhar focagens. Nos rolos que já expus – que já vão em mais de uma dezena –, contam-se pelos dedos de uma mão as focagens que falhei. E não preciso de usar todos os dedos.

Ah – e repararam que são todas lentes de distância focal fixa?

M. V. M.

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2 thoughts on “Mais um texto apologético, e potencialmente maçador, sobre os instrumentos ópticos empregues pelo autor no seu recreio fotográfico”

  1. Allo! Gostava de saber se consegue um bom resultado com as lentes da OM na EP1? Tendo eu uma E-PL3 estou tentado a procurar uma OM1 com lente para partilhar essa lente na digital… mas não sei se o beneficio existe mesmo? … Nesta aplicação – lente OM no sistema M4/3 – existe alguma conversão a ser feita na distância focal?
    Bem, se puder partilhar a experiência agradeço.

    1. Yello! Quanto aos benefícios, eles são mais que muitos, porque as lentes OM são excelentes. Focar com estas lentes numa câmara digital pode ser complicado, mas existe, bem escondida nos fastidiosos menus da Olympus, uma função chamada MF Assist, que amplia uma porção da imagem entre 7 e 10 X. Não é o mesmo que usar um ecrã de focagem nas câmaras OM, mas ajuda.
      Como o sensor das Pen é um 4/3, a distância focal efectiva é o dobro da anunciada na lente: uma 28mm equivale a 56mm quando montada na sua E-PL3, uma 50mm equivalerá a 100mm e por aí fora. Basta multiplicar por 2.
      Também vai precisar de um adaptador, e não é qualquer porcaria que funciona. Tenho um adaptador Olympus MF-2, que custa os olhos da cara. Há alternativas que custam 1/10, mas não as aconselho.
      Abraço,
      M. V. M.

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