50mm

Conv3
Esta é a perspectiva que os 50mm me dão: nem demasiado larga, nem demasiado comprimida

Tenho já um número considerável de leitores e seguidores. Isto é bom – mantém-me motivado para escrever aqui quase todos os dias –, mas tem uma consequência curiosa: todos os leitores sabem o que penso sobre fotografia, vêem as minhas fotografias e sabem como as faço – que temas prefiro, que equipamento uso, com que perspectivas e por vezes mesmo com que parâmetros da exposição. Sabem quase tudo sobre mim, pelo menos enquanto entusiasta da fotografia.

Em contrapartida, não sei nada acerca dos meus leitores. Salvo duas ou três excepções, não sei o que os meus leitores andam a fazer quando se apanham com uma câmara na mão. Isto é, suponho, mais ou menos natural, porque só eu é que torno públicas estas coisas através do blogue, mas muitas vezes dou por mim a perguntar-me como é que os leitores contribuem para fazer o mundo da fotografia melhor.

Uma das coisas que me deixa curioso é saber o que usam os meus leitores para fotografar. Já todos sabem o que eu uso, mas só sei o que dois leitores usam. Um usa uma Canon 5D MkIII, outro uma Panasonic GF1. Há aqui um desequilíbrio notório que me deixa desconfortável, como se estivesse nu na praça pública com todos os transeuntes (vestidos, evidentemente) a olhar para mim.

Gostava, por exemplo, de saber se os meus leitores têm uma lente – ou uma distância focal – preferida. Penso que toda a gente que usa primes tem uma lente favorita. Por mim, tenho uma lente preferida para quando fotografo com película e outra para quando fotografo com digital. Curiosamente, são muito semelhantes e cabem ambas na categoria das lentes normais, ou standard. Uma tem 50mm e a outra 28, mas esta última equivale a 56mm quando montada na E-P1.

Não sei dizer, ao certo, porque prefiro os 50mm. Talvez seja por ser a distância focal mais próxima da perspectiva humana, mas é uma coisa que nunca racionalizei. Não escolhi fotografar com estas lentes por darem uma perspectiva semelhante à do olhar, e só depois de usar a 28mm montada na E-P1 durante alguns meses é que descobri esta característica. O que sabia é que me dava mais prazer fotografar com aquela distância focal. De tal maneira que poucas vezes usei a distância focal de 35mm, que a maior parte dos entendidos considera a ideal para fazer fotografia de rua, depois de ter esta lente que me dá o equivalente de uma lente standard (embora em alguns aspectos ópticos se comporte como uma grande-angular). Agora que tenho a OM, a minha lente favorita é a 50mm. É com ela que faço 80% das minhas fotografias quando uso a veneranda OM-2n.

Mesmo correndo o risco de parecer hiperbólico, posso dizer que podia passar o resto da minha vida só com estas lentes. Podia, se não fosse tão agradável usar outras distâncias focais, prescindir das outras lentes. Usar uma grande-angular a sério, como é a 28mm quando montada na OM, é uma experiência quase delirante pela largura que o seu ângulo de visão me dá, mas a sensação de profundidade é de tal maneira exagerada que os objectos nos planos de fundo, mesmo que na realidade não estejam muito distantes, aparecem sempre minúsculos. Às vezes é interessante, mas outras não. Em certas aplicações é necessário aproximar-me demasiado do motivo, o que a torna completamente inapta para fotografia de rua. A 135mm, apesar de provavelmente ser a minha melhor lente – é uma teleobjectiva que se usa como se fosse uma prime pequena e rápida e tem uma nitidez que é de chorar por mais –, tem uma utilidade relativamente limitada.

Resta a 50mm. É a lente que é mais fiel ao olhar, o que faz dela um prolongamento dos meus olhos. Com esta distância focal as proporções são sempre correctas, não havendo diagonais exageradas nem compressão da perspectiva. É uma lente que me faz sentir que estou a fotografar o que vejo, e não uma versão exagerada dos objectos. O mesmo quando monto a 28mm na câmara digital, com a grande diferença de que a 50mm é extremamente rápida – f/1.4 é uma abertura excepcional – e de ser mais fácil focar com esta lente montada na OM-2 do que com a 28mm na E-P1.

Em resumo, posso dizer que a minha distância focal favorita é 50mm. Posso também dizer que, se fosse obrigado a usar uma única distância focal, seria esta. Será que os meus leitores pensam o mesmo, ou terão outras distâncias focais favoritas?

M. V. M.

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3 thoughts on “50mm”

  1. Já vou aqui falando um pouco sobre as minhas preferências. Quando eu tinha uns 18 anos (isso já faz 20), comprei uma Olympus OM-10, usada, com uma lente 50 mm 1.4. Na época, meu desconhecimento sobre a qualidade e a forma de usar as lentes me levou a comprar uma Vivitar zoom (acho que 35-80). Depois de alguns anos comecei a perceber que a 50 mm fazia um serviço muito melhor. Por isso, concordo com você, é uma ótima lente. Quanto à distância focal de minha preferência, não sei, porque esse erro inicial de avaliação (achar que uma lente zoom seria melhor que uma fixa) me fez fotografar, por muito tempo, sem prestar atenção à distância focal, que é o que acontece quando você pode altera-la o tempo todo.
    A invasão digital me trouxe uma Sony HX-1, com zoom de 12x (não sei a quais distâncias focais isso equivalia), mas o fato é que o problema da desatenção continuou.
    Pulando uma parte chata da história (o declínio do meu prazer em fotografar enquanto usei, por alguns anos, é verdade, a Sony Cybershot), comprei, há algumas semanas, uma OM-D E-M5, com uma lente zoom 12-50 mm, meio fraquinha, mas bem útil para algumas situações, e uma linda 17 mm/1.8 prata. Entre essas duas eu tenho preferido a 17 mm, mas não especificamente pela distância focal, que inclusive também está compreendida na lente zoom, mas pela qualidade, tamanho reduzido, claridade e pelo anel de foco com marcação de distância, que eu adoro.
    Hoje fui fotografar um pouco no centro de São Paulo com elas (OM-D + 17 mm) e gostei bastante do resultado para a arquitetura, mas não tanto para as pessoas.
    Ontem fechei duas novas aquisições, a 45 mm 1.8 e a 60 mm 2.8/Macro, ambas da Olympus para o sistema m 4/3. Acho que esse conjunto de lentes vai me dar, finalmente, a oportunidade de prestar mais atenção a cada uma das distâncias focais. Portanto, talvez daqui uns meses eu possa responder melhor a sua pergunta.
    Abraço
    Murilo

  2. Caro MVM:

    Antes de tudo permita que lhe dê os parabéns por manter este blog (já sou leitor desde o ISO100, mas esta é a primeira vez que deixo comentários). Permita também que lhe agradeça a maravilhosa prosa com que nos brinda em alguns textos, pois estão muito bem escritos e incluem um humor “very british”. Com os outros, essencialmente técnicos, tenho aprendido muito e foi por sugestão de um deles que decidi fazer um curso de fotografia digital (iniciação). Finalmente aprendi a usar a máquina quando a roda de modos está no M. Confesso que era um modo do qual tinha receio, por desconhecimento do seu uso, mas que agora mantenho quase sempre selecionado.

    Voltando ao tema do seu texto, tenho uma Pentax K5 (sou sempre “do contra” – não me dou bem com C e N apesar de reconhecer muitas das suas virtudes) que comprei com duas objetivas designadas de “kit”. Uma 18-55 e outra 50-200. Ambas bem construídas e resistentes ao pó e à água, mas de qualidade ótica apenas mediana. A nitidez, ou a falta dela, é o que mais me irrita.

    Depois de alguma pesquisa decidi comprar a minha primeira “prime” – a Pentax DA 35mm F2.4, com corpo totalmente fabricado em plástico, mas com uma nitidez incrível desde a abertura maior. Barata e muito boa do ponto de vista da qualidade de imagem.

    Posteriormente, convencido pelas qualidades da DA 35 comprei uma Pentax DA 50 mm F1.8 igualmente de plástico, mas com qualidade de imagem idêntica.

    Ultimamente têm sido estas duas objetivas as que uso sempre (os dois “zooms” estão guardados a apanhar pó). São, pois, estas as distâncias focais que prefiro (multiplicar por 1,5 para obter as equivalências ao 35 mm).

    Todavia por vezes sinto falta de algo mais para o lado grande angular, mas as Pentax dessa zona têm (para mim) preços proibitivos. Estou a ver se arranjo uma desculpa (presente de Natal, talvez) para comprar uma Tamron 17-50 F2.8, para usar no lado próximo dos 17mm.

    Cumprimentos

    PR

  3. Câmara: Canon 5D Mark II
    objectiva Canon 24-105mm f4
    objectiva Canon 50 mm f1.4

    Câmara:Seagull DF 300
    Objectiva Minolta 50 mm f1.7
    Objectiva Tokina 80-200 f4

    e tudo o mais que dispare, mesmo câmaras de plástico de usar e deitar fora

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