Quimera

O meu entusiasmo pela suposta Nikon FM2 digital, a cujos rumores aludi no texto de ontem, arrefeceu consideravelmente quando a excitação deu lugar à razão. É que, mesmo que estivesse em condições de comprar o corpo, que deve custar, se quiser fazer concorrência à Sony α7, cerca de €2000, haveria sempre a questão das lentes. Ainda que a câmara venha a ser fabricada com a baioneta F (o que permitiria, penso eu, a montagem de lentes Nikkor de focagem manual sem necessidade de um adaptador), tudo isto implicaria construir um sistema a partir do nada. Teria sempre de adquirir lentes novas, a menos que fosse possível montar as minhas OM através de um adaptador (o que pode não dar bons resultados: leiam aqui). Ora, construir um sistema novo ficaria sempre dispendioso e implicaria ficar muito tempo sem o material de que precisaria, porque havia que aforrar o suficiente para comprar lentes – o que poderia demorar.

Deste modo, a FM2 digital não passa de uma quimera. A menos que a minha situação patrimonial melhorasse consideravelmente, estar-me-ia vedado fazer uma despesa tão avultada. Notem que nem sequer me referi, até agora, à possível aquisição de lentes de focagem automática para aquela hipotética câmara: fazer contas dessas apenas seria possível no caso improvável de me sair o Euromilhões. Assim, o melhor é contentar-me com o que tenho.

O que até nem é nada mau. A OM-2 é uma câmara que me retira a necessidade de usar qualquer outra. Podia fotografar só com ela até ao fim dos meus dias. E tenho uma outra câmara, também ela tremendamente competente, que poderei usar quando a OM-2 for inadequada para alguns tipos de fotografia. Por exemplo, é muito mais fácil fazer fotografia nocturna com a E-P1 (ou qualquer outra câmara digital) do que com uma câmara convencional. Nesta última a determinação da relação entre a abertura e o tempo de exposição obriga ao uso de cábulas para obter a exposição correcta, porque não há um live view para saber se a imagem vai sair correctamente exposta e o fotómetro não funciona no modo bulb: para usar a OM-2 na fotografia nocturna, precisaria de memorizar certas relações entre abertura e tempos de exposição: se fotografar a f/8 terei de usar 2,5’’, se usar f/11 o tempo de exposição será 4’’ – complicação a que acresce a velocidade ASA do rolo que estiver a usar. Teria também de usar um cabo disparador, que atarraxaria ao botão do obturador, e um cronómetro para medir correctamente o tempo de exposição – e mesmo assim sem ter certeza de que as fotografias iam ficar correctamente expostas. Claro que um dia destes vou meter na cabeça que tenho de aprender a fazer fotografia nocturna com a OM, o que tornará o uso da E-P1 ainda mais marginal no caso de sucesso, mas esse dia não está perto – até porque ultimamente não me tem puxado para fazer muita fotografia nocturna.

Por tudo isto, o melhor é contentar-me com o que tenho. O que, se analisar bem, até nem é nada mau. Tudo o que preciso de comprar, no que toca a material fotográfico, é rolos. E estes, bem vistas as coisas, até não são tão caros. Especialmente se pensar na quantidade de rolos, revelações, digitalizações e impressões que posso pagar com o dinheiro que a putativa Nikon FM2 – e as suas lentes – me custaria. (Cá está mais uma razão para não ambicionar a aquisição de novo equipamento.)

M. V. M.

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