Um livro e uma fotografia

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Peter Turnley lançou um livro, ou melhor um álbum de fotografias. Chama-se French Kiss – A Love Letter to Paris, título que, sinceramente, não me parece de muito bom gosto («french kiss» é uma expressão muito, hã… preliminar), mas as fotografias, a julgar pelas que vi e pelas que conheço de Peter Turnley, que são simplesmente excelentes, o livro (álbum) é decerto extremamente interessante: fotografia de rua, mas também de paisagens urbanas, toda a preto-e-branco e feita com Leicas, desde as de 35mm até à Monochrom. Promete.

Peter Turnley é um fotógrafo com quem todos os amantes portugueses da fotografia deveriam estar familiarizados por esta altura, uma vez que despendeu uma grande porção do seu tempo a fotografar em Lisboa, mais exactamente na Bica. A fazer fotografia de rua, a preto-e-branco, com as suas Leicas de 35mm ou digitais. Fotografias, diga-se, fantásticas: há por aí muito fotógrafo de rua português que não consegue captar a pulsação do coração da cidade de Lisboa como Peter Turnley o fez.

Lisboa ou Paris, pouco importa: as fotografias de Peter Turnley são de enorme qualidade onde quer que sejam feitas. 59 dólares é muito dinheiro, mas estou convencido que vale a pena comprar o French Kiss. (por favor não elaborem mentalmente trocadilhos de gosto duvidoso: eu abstive-me de escrevê-los, OK?)

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O meu amor pela obra fotográfica de Peter Turnley nasceu da fotografia que, mesmo sem autorização expressa do autor, vos mostro acima. Uma fotografia de dois miúdos na mala – e um outro no interior, à janela – de um carro aparentemente abandonado. Uma fotografia de rua old school, que podia ser de um dos génios da fotografia de rua do passado que todos nós reverenciamos. Uma fotografia que conta uma pequena história da vida do quotidiano e é cheia de ternura e diversão. Ainda por cima, tem algo que ainda a torna mais especial a meus olhos: o carro é um Citroën DS. Esse mesmo, o Boca-de-Sapo que procuro tenazmente durante algumas das minhas caminhadas fotográficas sem nunca o encontrar. É uma das minhas grandes ambições enquanto amador da fotografia: encontrar um DS e fotografá-lo de todos os ângulos possíveis. Expor um rolo inteiro ou gravar várias dezenas de imagens no cartão de memória, consoante o equipamento que tiver comigo.

Este pormenor pode ser irrelevante para muitos, mas contribuiu para tornar esta fotografia uma das minhas favoritas. Se fosse um Ford Cortina, considerá-la-ia uma grande fotografia na mesma – mas é um DS. O carro que se tornou na minha grande obstinação fotográfica. Por vezes parece-me que todas as fotografias de automóveis que fiz até hoje são treinos com o intuito de me preparar para o meu encontro com um Citroën DS. Quando encontrar um, o que parece cada vez mais difícil.

M. V. M.

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