Erros de principiante (3)

SLT-A99V_PG_frontUm aspecto em que todos os principiantes erram é no equipamento. Até aqui abstive-me de referir este aspecto, porque o material fotográfico, sendo importante, é meramente instrumental. Já referi aqui que o equipamento costuma suscitar duas atitudes antagónicas: é considerado fundamental por alguns e altivamente desprezado por outros. Nenhuma destas atitudes é correcta. O equipamento é importante na medida em que precisamos dele para exprimir os nossos conceitos fotográficos. Se tudo o que queremos é fazer umas fotografias sem pretensóes artísticas, basta um bom smartphone; se, contudo, aspiramos a algo mais, justifica-se investir em material de qualidade – desde que não se incorra em exageros. Se tudo o que se pretende é publicar fotografias de tamanho pequeno na Internet, não faz sentido adquirir câmaras full frame capazes de uma resolução acima dos 20 megapixéis.

Por regra, quem se inicia na fotografia nunca acerta à primeira: ou começa com equipamento medíocre ou com material que está muito acima dos seus conhecimentos. Isto resulta de deficiências de informação induzidas pelos mecanismos publicitários que formulam, de um lado, promessas inverosímeis de qualidade de imagem e, do outro, da criação de falsas necessidades que fazem com que o potencial adquirente não se contente com menos do que material de qualidade profissional.

O resultado é, em ambos os casos, uma enorme frustração. Quem adquire o material mais fraco descobre rapidamente as suas limitações. É o que acontece com quem compra câmaras compactas ou aquelas aberrações que são as câmaras bridge. Os que começam por comprar material caro e confrontam os seus primeiros resultados com fotografias feitas com equipamento idêntico chegarão rapidamente à conclusão que as suas próprias fotografias estão muito abaixo daquilo que pensavam que a sua câmara era capaz. Isto tem várias explicações: a primeira é a de que o neófito ainda não controla ainda todas as funcionalidades do novo equipamento, o que o impede de explorar o seu potencial (o mais comum é que fotografe nos modos automáticos, o que raramente produz resultados aceitáveis). Além disto, o principiante desconhece que aquelas fotografias maravilhosas que vê na Internet, feitas com uma câmara igual à sua, são por regra maciçamente editadas, nada tendo que ver com os JPEGs que a câmara produz. (Eu demorei algum tempo a perceber isto.)

O principal erro, na minha opinião, resulta de uma avaliação mal informada das necessidades de cada um. Em busca desse Preste João das Índias que é a qualidade de imagem, o principiante tende a cometer erros que resultam muito caros, adquirindo material de que realmente não necessita. O exemplo mais flagrante é o dos zooms, que são completamente desnecessários. Um zoom nunca terá a mesma qualidade, numa determinada distância focal, que a lente de distância focal fixa (prime) equivalente. Contudo, há neófitos para quem o próprio conceito de «lente de distância focal fixa» é totalmente estranho, julgando que apenas existem zooms. (Esta é a consequência de a maioria das câmaras ser vendida em conjunto com zooms, os quais são de qualidade discutível.)

Contudo, se o problema que obsta a um correcto levantamente das necessidades é a falta de informação, onde ir colhê-la? O pior que se pode fazer é começar a procurar websites e fóruns na Internet, o que só aumenta a confusão. O melhor a fazer é procurar o conselho de pessoas experientes: estas já passaram por todas aquelas dúvidas e dificuldades. Se essa pessoa é um fotógrafo conhecido ou aquela que está no balcão da loja de produtos fotográficos, pouco importa – embora esta última possa sentir-se tentada a impingir o material que precisa de escoar dos stocks ou aquele que quer promover. A regra é simples: apenas devemos adquirir aquilo que verdadeiramente necessitamos. Eu cometi muitos destes erros, desde comprar uma compacta até adquirir um zoom que raramente uso e um flash de que não necessito. Só acertei depois de comprar a OM-2, para as quais tenho apenas três lentes que cobrem todas as minhas necessidades. Não consigo conceber uma abordagem mais simples do que esta.

M. V. M.

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4 thoughts on “Erros de principiante (3)”

  1. É sempre um prazer ir lendo estas notas com as quais partilho o ponto de vista. Embora considero que por vezes as generalizações podem não reflectir sobre outros pontos de vista. Desconheço o volume de vendas das bridge, mas parece-me que são um produto com considerável sucesso para serem reduzidas a aberrações. Não concorda?

    1. Meh… não é o facto de uma câmara vender bem que faz dela uma boa câmara. As bridge são compactas com formas que fazem lembrar remotamente as DSLR, mas com sensores minúsculos e lentes sem qualidade. Haverá uma ou outra decente – se baixarmos os padrões de qualidade para níveis de Facebook -, mas não há como escapar que são as câmaras dos turistas!

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