Como evitar fotografias tremidas: uma regra de bolso

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcontece-me com alguma frequência fazer fotografias com distorção por arrastamento, vulgarmente denominadas fotografias tremidas. Esta forma de distorção, que pode em muitos casos ser confundida com a desfocagem, tem a sua causa no facto de se usarem tempos de exposição demasiado longos quando se fotografa segurando a câmara com as mãos. A única maneira de evitar que as fotografias fiquem tremidas quando as condições de luz são insuficientes e não se quer ou pode puxar pelo ISO e não se usa flash é recorrer ao tripé. Contudo, mesmo sabendo isto, é bem possível que as fotografias surjam distorcidas. No meu caso, isto acontece com alguma frequência quando fotografo com a OM-2. A razão é simples: a minha câmara digital, a E-P1, tem um sistema extremamente eficaz de estabilização de imagem que me permite usar tempos de exposição elevados sem perder nitidez quando a seguro com as mãos. Este é um benefício que a OM-2 não tem, mas a habituação à E-P1 faz-me frequentemente esquecer que a OM-2 não é capaz do mesmo desempenho com luz escassa.

A distorção por arrastamento pode ser evitada facilmente, quando se segura a câmara com as mãos, se se tiver sempre em mente uma regra de bolso extremamente simples: o tempo de exposição não pode ser superior à distância focal da objectiva que se está a usar. Esta é uma regra empírica que pode não ser aplicável em muitos casos – desde logo se a câmara tiver estabilização da imagem –, mas é uma boa maneira de evitar a distorção por arrastamento. Se estamos a usar uma lente de 28mm, o tempo de exposição não pode ser mais longo que 1/30; se a objectiva é uma 50mm, o tempo de exposição tem de ser mais curto que 1/60; e, se usamos uma teleobjectiva de 135mm, não devemos usar tempos de exposição superiores a 1/125 (recorro, nestes exemplos, a distâncias focais e tempos de exposição tradicionais: as câmaras digitais permitem seleccionar tempos de exposição intermédios, pelo que, no caso da lente 135mm, o aconselhável será usar tempos de exposição inferiores a 1/160).

Para que isto resulte em pleno, é necessário que a lente tenha bons valores de abertura máxima. Nos casos em que a distorção por arrastamento pode acontecer com maior probabilidade é importante que a abertura seja ampla. Lentes com aberturas máximas de f/3.5 ou f/4 são inaptas para fotografar com pouca luz porque obrigam a tempos de exposição muito longos em condições de luz escassa, podendo impossibilitar o manuseamento da câmara sem recurso ao tripé.

Esta é uma regra formulada pela experiência, pelo que pode não se aplicar em muitas situações. A firmeza com que se segura a câmara é algo que varia muito de pessoa para pessoa, mesmo sem ter que ver necessariamente com a idade ou a condição física. Há pessoas que são capazes de obter fotografias nítidas com tempos de exposição muito longos, tal como há aquelas que tremem com facilidade mesmo quando usam tempos de exposição curtos. A câmara também ajuda: a sua ergonomia ajuda a obter fotografias nítidas com tempos de exposição longos, sendo uma DSLR preferível a uma compacta ou CSC quando se quer fotografar com pouca luz. Outros factores que influem são o peso e tamanho da objectiva – é mais difícil obter fotografias nítidas quando se segura uma teleobjectiva – e a própria fadiga física.

Em todo o caso, mesmo se esta não é uma regra absoluta, é importante tê-la em mente. Ela constitui um bom auxiliar para evitar fotografias tremidas.

M. V. M.

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