Gripe

Estou com gripe e não posso sair de casa. Lá fora toda a gente anda de manga curta, mas eu estou a tiritar de frio. Ora bolas. Além disto, a fotografia que enviei para um concurso do The Online Photographer não foi sequer seleccionada (vendo as que o foram percebe-se porquê…), as impressões do Kodak Portra 160 nunca mais chegam e a minha conta do Hotmail foi bloqueada. Isto promete…

Reparo que deixei escapar várias efemérides: dia 22 de Agosto é a data de nascimento de Henri Cartier-Bresson, o que leva alguns a celebrar um pretenso Dia Mundial da Fotografia de Rua. Meh. Agora há Dias Mundiais para tudo. Nos Estados Unidos há um Dia Mundial da Manteiga de Amendoim, o que demonstra quão importante é celebrar o Dia Mundial de qualquer coisa. Ah, pois!, também deixei escapar o Dia Mundial da Fotografia, que se celebra a 19 de Agosto. 22 de Agosto foi também o dia em que, há dois anos, comprei a minha primeira lente de focagem manual, a OM 28mm-f/3.5 (foi apenas por coincidência que a aquisição aconteceu neste dia). E também deixei passar o primeiro aniversário do Número f/, que devia ter celebrado no dia 12 de Agosto.

Isto das efemérides tem muito pouco que se lhe diga. Se formos a ver, celebrei aquelas efemérides todas – à excepção do dia da manteiga de amendoim – a fotografar, a escrever sobre fotografia e a publicar fotografias no Flickr. É assim que os acontecimentos a que as efemérides se ligam devem ser celebrados. Não precisamos de um dia da liberdade para nos sentirmos livres, não precisamos de um dia mundial da mulher ou da criança para exprimirmos os nossos afectos, e muito menos precisamos desses dias que importámos dos Estados Unidos, como o dia das bruxas ou o dia dos namorados, que só servem para que alguns lorpas gastem mais dinheiro em prendas e guloseimas. Diria, deste modo, que essa coisa das efemérides não passa de um disparate. As efemérides dizem-me tanto que nem reparei nelas, e não teria sequer pensado nelas se não fosse a informação provida através da Internet.

***

Este está a ser um dia muito longo. Em dias como estes, os acontecimentos mais pequenos tendem a assumir uma importância desmesurada. Qualquer desempregado pode confirmar esta tese. Um pequeno desentendimento pode tomar proporções de ofensa irreparável, e insignificâncias podem trazer as maiores alegrias. (Viver muitos dias como estes é uma auto-estrada para a alienação e a neurose.) O tédio é de tal ordem que se inventam coisas para fazer – por vezes assumindo precedência sobre o que tínhamos mesmo de fazer nesse dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA minha pequena alegria deste dia foi ter removido a sapata do flash da OM-2. Não tenho nenhum plano para usar a câmara com flash, e nunca gostei do Shoe 4 (à esquerda) montado na câmara: estragava por completo a harmonia das linhas, fazendo lembrar uma pequena ameia de um castelo medieval em cima de um edifício Bauhaus. O pior não era o prejuízo estético: é que me dificultava o uso do visor. Na base do Shoe 4 há uma pequena roda com o dizer Lock. De início pensei que era algum mecanismo para fixar o flash à sapata, mas hoje, com todo este tempo livre, descobri que essa hipótese era completamente ilógica: aquilo é o parafuso que prende a sapata ao corpo. Desapertei a rodinha, et voilà! – a sapata soltou-se do topo da cobertura do pentaprisma. Agora não preciso de pôr a cabeça em posições esquisitas para ver a totalidade da imagem no visor. E a OM-2 ficou ainda mais espectacular:

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Enfim, um dia longo, longo…

M. V. M.

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