Olympus OM-2n, o teste (1)

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Introdução

O que vão ler durante os próximos textos não é um teste padronizado, baseado em procedimentos standard, como os que se lêem nos sites especializados de fotografia. É um conjunto de impressões maioritariamente subjectivas sobre uma câmara, precedido por um longo capítulo de história e repleto de opiniões estritamente pessoais. O que vão ler baseia-se na experiência no terreno, e não na leitura de gráficos e tabelas ou em fotografias de painéis criados especificamente para testar equipamento. Tal como fiz com a E-P1 muitos meses atrás, esta é uma apreciação de uma câmara que já não se fabrica, com a diferença de a produção das OM ter cessado há onze anos. Nada de muito actual. Não estou exactamente a antecipar-me à concorrência ao testar a última novidade em matéria de câmaras.

Avaliar uma câmara convencional é, ao mesmo tempo, mais simples e mais difícil do que testar um corpo digital. Mais simples porque não há tanta electrónica incorporada, mas mais difícil porque não tenho muitos pontos de referência. Contudo, parece-me que não é assim tão destituído de sentido escrever uma recensão da OM-2 nos dias de hoje: por um lado, não há assim tantos ensaios de equipamento convencional escritos em português (nem, aparentemente, muita gente disposta a fazê-lo); por outro, porque há um interesse crescente por este equipamento: há uma ressurgência do equipamento convencional que é comparável à que o vinil conheceu ao longo da década passada (e que está longe de esmorecer). O que pode tornar os textos que se seguem ainda mais interessantes do que aqueles em que apreciei a E-P1.

História

Eu hesitaria em descrever a série OM da Olympus como revolucionária. As OM são corpos SLR (single lens reflex), conceito inventado em 1884 e cuja primeira aplicação industrial vem do ano de 1949, quando foi apresentada a Zeiss Ikon VEB Contax S. A Olympus não introduziu nada de verdadeiramente novo com as OM; foi até o último dos fabricantes japoneses a lançar uma câmara SLR profissional (1), e fê-lo com aquilo que muitos pensam não ser mais que uma Pentax rebaptizada Olympus: um monstro – a câmara é verdadeiramente gigantesca – de modelo FTL, que durou apenas dois anos até ser substituída pela série OM.

maitaniEvidentemente, escrever sobre as OM implica mencionar aquele que é um dos nomes mais reverenciados da indústria fotográfica japonesa – Yoshihisa Maitani (2). Este engenheiro teve a visão necessária para criar uma das inovações mais significativas da indústria fotográfica: num tempo em que prevalecia, num Japão em enorme desenvolvimento económico e industrial, a noção de que todos os produtos tinham de ser maiores – mais altos, mais largos e mais compridos – para ilustrar a pujança económica japonesa, Maitani pensou de forma inversa e concebeu uma câmara cerca de 20% mais pequena que a mais pequena das SLR existentes e 50% mais leve. Ao mesmo tempo, concebeu uma câmara sólida e fiável, com um obturador capaz de suportar 100 000 disparos – contra os 10 000 de que outras câmaras eram capazes.

A primeira destas câmaras foi a Olympus M1. Conta-se que, durante o seu lançamento na Photokina de 1972, os representantes da Olympus foram abordados por pessoas da Leica, que os persuadiram a mudar a designação de «M» (que caracterizava as Leica de topo de gama) para «OM». Nasceu assim a OM-1, primeira câmara de uma gama que só viria ser abandonada em 2002. (Continua)

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(1) Não incluo aqui a Olympus Pen F de 1963 que, sendo tecnicamente uma SLR, não era uma câmara destinada ao mercado profissional e tinha uma concepção completamente diferente das SLR tradicionais: em lugar de um espelho e de um pentaprisma, tinha um espelho e dois porroprismas que orientavam a luz para o visor; a Pen F distinguia-se por gravar a imagem em metade do fotograma, de onde resultou a sua categorização como half frame.

(2) Recomendo a leitura da transcrição de uma conferência de Yoshihisa Maitani, publicada no website da Olympus, da qual extraí muita da informação usada neste capítulo: http://www.olympus-global.com/en/corc/history/lecture/lecture2/

M. V. M.

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