Fotografia de rua à noite – por que não?

Que mania maldita, esta de plantarem postes de iluminação no enquadramento!

No domingo à tarde fui fotografar, como relatei no texto de ontem. Depois da frustração de não ter conseguido fazer as fotografias que idealizara, decidi fotografar os monumentos habituais – o mosteiro da Serra do Pilar e a ponte Luiz I. Nenhuma me convenceu. Não por terem ficado muito más, mas por serem fotografias batidas. Toda a gente já fotografou aqueles lugares.

Tinha acabado de fazer algumas fotografias da ponte Luiz I (ou «D. Luís») na Ribeira, que não me deixaram satisfeito. Num dos poucos momentos porque não? que me ocorrem – eu tendo a ser refractário a experiências novas, mas estou a fazer o meu melhor para mudar –, resolvi virar o tripé e a câmara para o outro lado, subir o ISO para 200 e fotografar cenas de rua. A ocasião não era má, pois havia coisas interessantes a acontecer. Não muitas – era um domingo à noite, com jogo de futebol e tudo –, mas algumas. Já tinha feito uma fotografia dessas no alto da Ponte Luiz I nessa mesma noite, sendo que a intenção não era que figurassem pessoas no enquadramento, mas estas passaram e fotografei-as na mesma. Quando vi a imagem no ecrã da câmara, gostei do resultado.

E que boa ideia que eu tive! Claro que fazer este tipo de fotografia com um tripé pode ser complicado, e fotografar com tão pouca luz e tempos de exposição relativamente longos também. Há que escolher cenas mais ou menos estáticas para evitar o arrastamento excessivo, mas a ocasião era boa. Uma pessoa a fotografar com um tripé torna-se bastante conspícua, o que impede o tipo de espontaneidade que se quer da fotografia de rua – mas, apesar de todas estas dificuldades, fazer fotografia de rua à noite não é impraticável. Podia ser ainda melhor: podia ter usado uma sensibilidade mais alta que me permitisse dispensar o tripé, mas ia pagar um preço muito alto com o nível de ruído que surgiria na imagem. Apesar de ter um software que corrige o ruído muito bem, a qualidade da imagem sofre muito acima de ISO 400. E eu sou uma espécie de fanático da qualidade da imagem, raramente aceitando compromissos que a prejudiquem em demasia.

Os resultados foram promissores. Nada do outro mundo – afinal de contas foi a primeira vez que fiz fotografias nestas condições –, mas provei a mim mesmo que é possível fazer fotografias muito interessantes. Bastante mais do que as de monumentos que toda a gente já fotografou.

Curiosamente – e sem que tivéssemos conhecimento do que um e outro andávamos a fazer –, o grande Vítor Tripologos publicou uma série de fotografias nocturnas de rua no Facebook na segunda-feira. São incomparavelmente melhores que as minhas, evidentemente, mas serviram para reforçar a minha convicção de que este é um género de fotografia que quero explorar. Afinal de contas, onde é que está escrito que a fotografia de rua tem de ser feita só de dia?

M. V. M.

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