Guia definitivo da fotografia nocturna (2)

Agora que já temos o tripé montado numa superfície razoavelmente plana e suficientemente firme, apontado para o objecto que seleccionámos, o passo seguinte é configurar a câmara. O mais importante, na fotografia nocturna, é obter uma exposição correcta e, ao mesmo tempo, evitar que o ruído destrua a imagem. O ruído é uma aberração que afecta as zonas de sombra e as transições entre a luz e a escuridão, nunca afectando as altas luzes e sendo invisível nas zonas sem luz: uma área negra não é afectada pelo ruído, nem uma zona intensamente iluminada. O efeito do ruído consiste em dar um aspecto granuloso às áreas da imagem por ele afectadas, o que raramente produz imagens agradáveis de se ver. Muito do ruído é imperceptível em imagens pequenas, mas é notório em ampliações.

Vejamos, pois, quais os valores correctos de exposição e qual o método para diminuir o ruído para níveis toleráveis.
Na fotografia nocturna convém seleccionar os modos de exposição S ou M. Apesar de a velocidade do obturador ser o valor mais importante quando se fotografa de noite, o modo manual é preferível, uma vez que, se seleccionarmos a prioridade ao disparo (S), o fotómetro pode seleccionar aberturas demasiado estreitas. A abertura deve ser estreita – na ordem dos f11 -, mas não tanto que obrigue a exposições excessivamente prolongadas ou prejudique a nitidez. Embora possa parecer um paradoxo usar aberturas tão estreitas quando a luz é escassa, é necessário tomar em atenção que a abertura e a velocidade do disparo funcionam entre si numa relação de reciprocidade: quanto maior a abertura, maior é também a velocidade do obturador. Simplesmente, o uso de aberturas muito grandes implicaria velocidades de disparo elevadas, que é exactamente o que não se pretende na fotografia nocturna, que requer exposições consideravelmente longas; daí o uso imperativo de aberturas estreitas.
A velocidade do disparo deve ser lenta: 2 segundos ou mais. A regra não podia ser mais simples: quanto menos luz, menor a velocidade do obturador. Velocidades da ordem dos quinze segundos permitem uma captação de luz óptima quando o objecto a fotografar for pouco iluminado (fotografar à noite requer alguma paciência), e é possível obter exposições ainda mais prolongadas usando o modo bulb, pelo qual o obturador se mantém aberto enquanto o botão de disparo estiver premido. O bulb só deve ser utilizado quando a luz ambiente é praticamente inexistente.
Muito importante, neste tipo de fotografia, é manter uma sensibilidade ISO baixa. Hoje em dia, com câmaras a anunciar sensibilidades ISO da ordem dos 12800 ou mesmo 25600, muitos fotógrafos parecem sentir-se compelidos a usar sensibilidades elevadas para fotografar à noite (o que até faz sentido quando se pretende congelar motivos em movimento), mas nós já sabemos que a quantidade de ruído presente na imagem é tanto maior quanto mais elevada for a sensibilidade ISO utilizada. Daí que recomende o uso de ISO 100 – ou menor, se disponível. O uso conjunto de velocidades de disparo lentas e aberturas estreitas assegura, por si só, que os valores de exposição sejam os adequados para captar a luz necessária.
Outra configuração da câmara a ter em conta é a redução do ruído, função que pode ser encontrada nos menus da câmara e deve ser ligada antes de obter a fotografia. O efeito da redução do ruído não é o ideal, uma vez que tende a suavizar os pormenores subtis que conferem nitidez a algumas partes da imagem, mas este esbatimento dos pormenores é preferível ao ruído, pelo que é de fundamental importância usar esta função.
A calibração do equilíbrio dos brancos depende das preferências pessoais do fotógrafo e da natureza da luz. Quando se fotografam objectos iluminados por luz incandescente, podemos obter imagens com preponderância de tons laranja, uma vez que a câmara vê esta luz de modo diferente dos nossos olhos e tende a saturar a tonalidade alaranjada. Nestes casos é preferível retirar um pouco à saturação a usar o equilíbrio dos brancos para corrigir o excesso. Sempre que fotografo à noite faço diversas experiências com o equilíbrio dos brancos, mas acabo, invariavelmente, por escolher a definição automática. Contudo, também é possível obter bons resultados com a configuração fluorescente, que torna as cores ligeiramente mais frias. Repito: é uma questão de gosto. Podemos preferir um tom saturado, ou um aspecto mais neutro, mais próximo da nossa própria visão. Nada substitui a experimentação. (Continua)
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