As minhas referências, parte 3

Henri Cartier-Bresson

Só por motivos cronológicos ou de proximidade é que Henri Cartier-Bresson não surge à cabeça das minhas referências. Como referi, Josef Koudelka foi o fotógrafo que me fez perceber a fotografia como forma de arte, e Fernando Aroso foi quem me impeliu a fotografar; mas HCB é, muito justamente, o maior fotógrafo de todos os tempos.
 Para se entender o que quero dizer com uma afirmação tão rotunda, deixem-me exemplificar: há alguns meses, publiquei a fotografia acima, conhecida por Derrière la Gare de St. Lazare, na minha página do Facebook. Numa conversa com um dos meus sobrinhos, este referiu-me que não compreendia por que eu a considerava uma das melhores fotografias de sempre. Arguiu que não via nada de especial na fotografia e, depois de uma mais ou menos longa troca de argumentos, disse-lhe: «Já reparaste há quanto tempo estamos a discuti-la»? Ele olhou-me, mas não respondeu: compreendeu de imediato a importância da Gare de St. Lazare.
Com efeito, as fotografias de HCB não são daquelas coisas sublimes, carregadas de manipulação no Photoshop, que atraem imediatamente pela sua espectacularidade, mas que são, em última análise, frívolas e desinteressantes, perdendo o interesse após cinco segundos de contemplação: é antes um tipo de fotografia que convida a pensar. Não a meditar, na acepção esotérico-parola com que agora se usa a expressão, mas a raciocinar e filosofar. Não pelo seu conteúdo intrínseco ou pela mensagem, como as de Koudelka ou Sebastião Salgado, mas por serem instantâneos da vida – pela perspicácia do fotógrafo e, sobretudo, pela sua capacidade de ordenar, dentro do limite do rectângulo que é o espaço da fotografia, o que à primeira vista pareceria caótico. Com HCB, a fotografia tornou-se no acto de trazer ordem ao caos. Foi com ele que nasceram as noções de composição e enquadramento que ainda hoje são usadas na fotografia. Nenhum fotógrafo que tenha um pouco de respeito por si mesmo pode negar a influência de HCB na sua obra.
A actividade de HCB não se limitou à fotografia de rua: ele foi o motor da Magnum, pela qual passaram todos os grandes fotógrafos das gerações que se sucederam à de HCB. Só este facto teria enchido a sua vida de significado, mas para além da Magnum, há uma obra de tal maneira importante que continuará a afectar e a influenciar o mundo da fotografia durante décadas. Daí que não seja exagero nenhum afirmar que Henri Cartier-Bresson foi o maior fotógrafo de sempre.
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