Fotografar à noite

20 segundos, f/11, ISO 100

Se eu tivesse de me confinar a um tipo específico de fotografia, seria a fotografia nocturna. Descobri-o depois da noite de ontem, em que fui fotografar para o centro da cidade armado com o tripé. Uma verdadeira epifania! Ontem à noite estive na Praça Parada Leitão – a do Piolho –, no Carmo, na Praça da Liberdade e na Rua Galeria de Paris. Não havia muita animação, em parte por causa do frio (um conselho: se forem fotografar numa noite fria, não levem sapatilhas All-Star: fiquei com os pés gelados!), mas encontrei alguns motivos interessantes. Uma das fotografias que fiz, à beira do Hotel Intercontinental, pode mesmo ser uma das melhores que fiz até hoje. (Não a vou mostrar: fiquem atentos ao meu Flickr durante os próximos três ou quatro dias.) Evoca-me a fotografia do Bentley de Pannonica de Koenigswarter de que já vos falei aqui.

As fotografias desta sessão nocturna, que fiz com a intenção de as passar para preto-e-branco, foram de tal maneira satisfatórias que me deixaram a pensar que finalmente tinha encontrado um estilo próprio. Daí a afirmação que fiz no início do texto. De todas as modalidades que já experimentei, esta é aquela em que consegui as fotografias mais gratificantes – não pela sua qualidade intrínseca, mas por serem aquelas que posso considerar verdadeiramente originais, verdadeiramente minhas. Isto não significa que me vá dedicar por inteiro a este tipo de fotografia – mas uma coisa é certa: vou passar a fotografar muito mais vezes à noite.

Até agora tinha-me abstido de fotografar à noite com muita frequência por medo de que o ruído e os pixéis luminosos destruíssem a qualidade da imagem, mas estes receios já não são um impedimento. A minha câmara não é, afinal, tão ruidosa como pensava (mas também não é nenhuma Nikon D800E), e o ruído que produz pode ser minimizado com algumas precauções. Quanto aos pixéis luminosos, o DxO Pro 8, que tenho vindo a experimentar, tem agora uma ferramenta que os elimina por completo. Mais uma preocupação que deixo para trás.

Faço as minhas fotografias nocturnas de duas maneiras. A primeira, que já experimentei inúmeras vezes, requer tempos de exposição longos, aberturas estreitas – entre f/8 e f/11, mas às vezes desço a f/16 –, o uso do tripé e manter o ISO no valor mínimo. Outros requisitos são desligar o estabilizador de imagem, o filtro de ruído e a função de redução do ruído. Simplesmente, este modo de fotografar só resulta com objectos estáticos. Para fotografar pessoas é necessário reduzir ao mínimo o arrastamento que se produz necessariamente quando se fotografam motivos em movimento com exposições longas, o que só se consegue com tempos de exposição curtos. Estes últimos, por seu turno, só são possíveis subindo a sensibilidade ISO. Como prefiro ter um pouco de arrastamento a estragar o pormenor da imagem com ruído, nunca vou além de ISO 400. Para reduzir os tempos de exposição, opto por aberturas largas, o que permite tempos de exposição menores que 1 segundo (normalmente entre 1/20 e 1/60, conforme a iluminação do local). Não consigo congelar perfeitamente motivos em movimento, mas o (pouco) arrastamento que obtenho parece-me aceitável quando comparado com o efeito destruidor do excesso de ruído sobre a qualidade da imagem.

O único inconveniente desta última modalidade é não dispensar o tripé. Pelo menos no meu caso. Este rouba alguma liberdade e priva-me de qualquer pretensão de rapidez, mas o seu uso não é impraticável. Apenas obriga a escolher muito bem os enquadramentos e a esperar com alguma paciência. É durante estas esperas que dou por mim em fantasiar com super-câmaras como a já mencionada Nikon D800E, que me permitiria usar sensibilidades elevadas e fotografar sem o tripé – mas como quem não tem cão caça com gato, tenho de me conformar com o uso do tripé. O que, atentos os resultados, me parece um bom compromisso.

Um último conselho: quando fotografarem à noite, seja em que circunstâncias for, nunca usem filtros na lente. Estes produzem reflexos internos cujo efeito pode, eventualmente, ser interessante, mas que na maior parte das vezes não o é. Como se pode ver na imagem acima, já que me esqueci que tinha montado um filtro UV na OM 28mm-f/3.5. (A imagem também mostra níveis preocupantes de moiré, mas esta aberração desaparece se for ampliada; basta clicar na imagem, ou aqui para a ver no Flickr.)

M. V. M.

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